Wednesday, April 30, 2008

Cuba acusa o governo dos EUA de fabricar e promover provocações contra-revolucionárias

Cuba acusa o governo dos EUA de fabricar e promover provocações contra-revolucionárias:


Granma Internacional DigitalVERSÃO SÓ TEXTO
Havana. Cuba. Ano 12 - Quarta-feira 30 Abril de 2008.
Raúl avista-se com o chanceler da Bolívia
• O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, recebeu na tarde da terça-feira, 29 de abril, o ministro das Relações Exteriores e Cultos da República da Bolívia, o Ex.mo Sr. David Choquehuanca Céspedes, que realiza uma visita oficial a nosso país.
Durante a reunião, os dirigentes reveram o desenvolvimento das relações existentes entre Cuba e a Bolívia e dialogaram sobre a situação atual nos dois países. Também analisaram temas de interesse de em nível regional e internacional. Raúl Castro ratificou ao chanceler dessa irmã nação latino-americana a solidariedade e o apoio de Cuba ao povo boliviano e ao governo presidido por Evo Morales.
Pela parte boliviana, também participou do encontro o Ex.mo Sr. Saúl Chávez Orozco, embaixador da Bolívia em Cuba. Pela parte cubana, esteve presente o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque. •..........................................................................................................................................
O presidente do Panamá assinará acordo energético com Cuba
• O presidente do Panamá, Martín Torrijos, anunciou em Havana que assinará um acordo no setor energético com Cuba e expressou seu interesse em reforçar os laços bilaterais.
Torrijos, que chegou à Ilha na terça-feira, dia 29, assistirá à cerimônia de colocação da pedra fundamental de um monumento em Havana em homenagem a seu pai assassinado por terrorismo da CIA, o general Omar Torrijos Herrera (1929-1981).
"Com esta visita, queremos enfatizar a amizade dos panamenhos com o povo cubano e tornar mais fluentes os frutíferos laços bilaterais", disse o mandatário ,após sua chegada ao aeroporto internacional José Martí, onde foi recebido pelo ministro de Governo, Ricardo Cabrisas.
Torrijos lembrou que seu país tem convênios de cooperação com Cuba, inclusive, o da Operação Milagre, de reabilitação oftalmológica a pacientes pobres, que no decorrer deste ano prestou serviços a 4 mil panamenhos.
Acrescentou que jovens de seu país estudam em universidades cubanas, entre as quais, a Escola Latino-Americana de Medicina e a Escola Internacional de Esportes e Educação Física.
"Temos uma série de acordos de benefício mútuo que demonstram a forte solidariedade entre os dois países", salientou e assegurou que correm muito bem as relações comerciais entre ambas as nações.
A delegação do Panamá é integrada pelo primeiro vice-presidente e ministro das Relações Exteriores, Samuel Lewis, a ministra de Comércio e Indústrias, Carmen Vergara e outros altos funcionários. • ..........................................................................................................................................
Cuba atingiu um milhão de turistas neste ano em tempo recorde
• CUBA chegou neste ano ao número de 1 milhão de turistas, 22 dias antes em comparação com 2007, segundo se anunciou na terça-feira, 29 de abril, na celebração deste recorde, que teve lugar no Salão 1930 Compay Segundo, do Hotel Nacional.
A vice-ministra de Turismo (Mintur), María Elena López, explicou que no primeiro trimestre de 2008 houve um crescimento de 15% de hóspedes estrangeiros, em relação ao mesmo período de 2007.
Elogiou os milhares de homens e mulheres que se ocupam de elevar os standards do produto turístico antilhano, o qual tem estabilidade no mercado da região, com 4 anos consecutivos acima dos 2 milhões de visitantes.
Esse setor na Ilha sobressai pelas feiras internacionais que organiza anualmente. A de 2008 — dedicada à integração Cultura-Turismo — conta com a inscrição até hoje de mais de mil participantes estrangeiros, com destaque para os delegados italianos, país convidado de honra.
O coro Entrevoces, sob a regência de Digna Guerra, se encarregou da parte cultural da cerimônia, com a interpretação de peças que identificam a cultura nacional como o Chan Chan, de Compay Segundo, e De que manera quererte, de Luis Ríos. •..........................................................................................................................................

Wednesday, April 16, 2008

Ponha sangue no seu motor ! A tragédia dos necro-combustíveis

Os grandes slogans estão lançados: biodiesel, biocombustíveis, ou verde, combustíveis verdes, "o combustível que vê a vida verde"… A edição especial da Ford, Cahiers de l'Automobile, apresenta o título "Bio-Combustíveis", Bio com 7 cm de altura e combustíveis com 1,5 cm de altura: os grandes truques da semântica para adormecer o povo. A mesma revista, tem na página 7, o título: "Bio em 40 perguntas". Mas qual "bio"? Será uma nova abreviatura para "biocombustível"? Quanto maior é a intoxicação, melhor ela passa! Porquê incomodar-se?

A atribuição do termo "bio" aos necro-combustíveis vai, no entanto, ganhando terreno rapidamente. Isso faz-nos lembrar os iogurtes da Danone. Encontram-se na Internet anúncios da Volvo, do gênero: "A Volvo pratica desporto bio", ou da Ford: "A Ford e a Europcar rodam pelo bio!" ou ainda para o Saab "300 cavalos ecológicos". Alguns carros movidos a combustível vegetal contêm mesmo a menção "bio" na carroçaria.

É o golpe de misericórdia para a agricultura bio, e para mais, a pressão dos lobbies em Bruxelas procura impor uma agricultura bio de "segunda geração" com uma pitada de pesticidas aqui e uma meia-pitada de quimeras genéticas ali! Os cadernos de encargo da agro-bio estão em vias de se transformar em cadernos de desencargo! Ponham-nos a mola no nariz.

Os combustíveis vegetais não são bio: eles são extraídos de plantas cultivadas com toda a artilharia pesada dos input da agro-química e dos pesticidas. Os termos "biodiesel", "bioetanol" e "biocombustíveis" passaram para a linguagem comum num tempo recorde, na sequência de enormes campanhas publicitárias e mediáticas. Esses combustíveis vegetais são obtidos graças a processos de extração industrial muito complexos. O termo "bio" significa "vida". É difícil de perceber por que razão é que esses combustíveis vegetais têm o prefixo bio. Por acaso, fala-se em bio-trigo ou bio-tomate ou de bio-milho?

Estamos no seio de uma gigantesca impostura semântica. Deveria falar-se de "necro-combustíveis", de necro-etanol" e de necro-diesel. Necro significa morte e só este prefixo é que pode qualificar os aspectos técnicos, ecológicos e humanos desta farsa sinistra.

Os combustíveis vegetais não são verdes, eles são vermelhos da cor do sangue. Eles vão aumentar a tragédia da subnutrição, da morte pela fome, da miséria social, do deslocamento das populações, da desflorestação, da erosão dos solos, da desertificação, da falta de água, etc.

Os grandes grupos petrolíferos que se aliaram aos grandes grupos da agro-alimentação e aos grandes grupos da agro-química e aos grandes grupos sementeiros para lançar esta farsa grotesca tentam tranqüilizar o cidadão fazendo de conta que os combustíveis vegetais não representam nenhuma "concorrência para as demandas alimentares".

Não há "concorrência para as demandas alimentares". No entanto, sabiam que:
- o ano de 2006 foi declarado pela ONU, o "Ano Internacional dos Desertos e da Desertificação";
- as atividades agrícolas geram uma erosão tal que a cada segundo, 2420 toneladas de solo desaparecem nos oceanos e nos ventos;
- diariamente, por hora, 1370 hectares de terreno ficam desertificados para sempre;
- 36 mil pessoas morrem de fome todos os dias.
- segundo a FAO, a superfície média de terra cultivável por habitante era de 0,32 hectares em 1961/1963 (para uma população mundial de 3,2 mil milhões), de 0,21 hectares em 1997/1999 (para uma população mundial de 6 mil milhões) e será de 0,16 hectares em 2030 (para uma população mundial estimada em 8,3 mil milhões);
- segundo alguns especialistas independentes, as projecções acima são altamente optimistas porque a superfície média de terra cultivável por habitante nos países pobres será somente de 0,09 hectares em 2014.
- esses mesmos especialistas não tiveram em consideração, nos seus cálculos, o boom dos agro-combustíveis e as alterações climáticas;
- segundo a FAO, a Índia perde a cada ano 2,5 milhões de hectares de terra e que a esse ritmo não restará mais do que uma grama de terra cultivável nesse país em 2050;
- no decurso dos últimos 20 anos, cerca de 300 milhões de hectares (seis vezes a superfície da França) de floresta tropical foram destruídos para a implantação de domínios latifundiários e de pastagens, ou de plantações em grande escala de óleo de palma, de borracha, de soja, de cana de açúcar e outros produtos;
- em Iowa, o coração do império transgénico do milho e da soja, as igrejas nas zonas rurais estão 1,5 m mais altas que os campos à volta porque o Iowa perdeu 1,5 m de solo fértil em pouco mais de um século. (…)

O Professor Pimentel, da Universidade de Cornell (Ithaca, New York) já provou há vários anos que o balanço energético básico da produção de etanol é completamente negativo, porque a produção de milho tem um custo real (input, pesticidas, trabalho), sem falar da amortização do material agrícola que nunca é tido em conta porque o balanço seria demasiado indecente. Em suma, segundo o Professor Pimentel, o combustível vegetal aquece mais o planeta do que a gasolina!

- Os agro-combustíveis vão acelerar a destruição dos ecossistemas contaminando ainda mais o solo, a atmosfera e as águas com pesticidas e outros elementos nocivos.

- Um litro de etanol leva à erosão de 15 a 25 kg de terra: entenda-se aqui erosão como desaparecimento puro e simples.
- E no que diz respeito à água? É o descalabro final. São necessários entre 500 a 1500 litros de água, dependendo das regiões, para se produzir um quilo de milho. Isso significa que a produção de um litro de etanol à base de milho requer a utilização de 1200 a 3600 litros de água!

Recebemos um email dos nossos amigos da Guatemala. O preço da tortilha (alimento tradicional à base de milho) aumentou para 80%. A situação é idêntica no México. O aumento do preço da tortilha de 40 a 100% origina sérias revoltas em todo o país. Há alguns anos atrás, os agricultores deixaram de produzir o seu milho tradicional no Guatemala e no México porque se tornou mais barato comprar a tortilha à tortilleria industrial do que cultivar a sua "milpa" devido ao "dumping" de milho proveniente dos EUA.

Mas, atualmente, a situação mudou: os EUA guardam o seu milho (20% da colheita de milho é transformada em etanol) e os mexicanos morrem de fome!

Por Dominique Guillet

Oitavo mandamento: Mentirás


A grande midia, até um tempo atrás, dizia que a pobreza estava batendo em retirada no mundo. Agora, os burocratas mais bem pagos do mundo estão confessando que estavam mal informados. Também ficamos sabeno, agora, que os países pobres são bem mais pobres do que os números diziam.

Data: 01/04/2008

Uma mentira

Até um tempinho atrás, a grande mídia nos presenteava, a cada dia, números alegres sobre a luta internacional contra a pobreza. A pobreza estava batendo em retirada, apesar de que os pobres, mal informados, não tomavam conhecimento da boa notícia. Os burocratas mais bem pagos do planeta estão confessando, agora, que os mal informados eram eles.

O Banco Mundial deu a conhecer a atualização do seu International Comparison Program. Do trabalho participaram, junto com o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, as Nações Unidas, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico e outras instituições filantrópicas.

Nele os especialistas corrigem alguns errinhos dos relatórios anteriores.

Entre outras coisas, ficamos sabendo agora de que os pobres mais pobres do mundo, os chamados “indigentes”, somam quinhentos milhões a mais do que aparecia nas estatísticas.

Além disso, percebemos de repente que os países pobres são bem mais pobres do que os numerinhos diziam, e que sua desgraça piorou enquanto o Banco Mundial estava vendendo-lhes a pílula da felicidade do mercado livre.

E se todo isso ainda fosse pouco, agora ficamos sabendo que a desigualdade universal entre pobres e ricos tinha sido mal medida, e em escala planetária o abismo é ainda mais fundo que o do Brasil, país injusto por excelência.

Outra mentira

Ao mesmo tempo, um ex-vice-presidente do Banco Mundial, Joseph Stiglitz, em um trabalho conjunto com Linda Bilmes, investigou os custos da guerra do Iraque.

O presidente George W. Bush tinha anunciado que a guerra poderia custar, no máximo, 50 bilhões de dólares, que a primeira vista não parecia caro demais, tratando-se da conquista de um país tão rico em petróleo. Eram números redondos ou, melhor dizendo, quadrados. A carnificina do Iraque já dura mais de cinco anos, e neste período os Estados Unidos já gastaram um trilhão de dólares matando civis inocentes. Caindo das nuvens, as bombas matam sem saber a quem. Embaixo da mortalha de fumaça, os mortos morrem sem saber por quê. Aquele cálculo de Bush basta para financiar somente um trimestre de crimes e discursos. O número mentia, a serviço desta guerra, nascida de uma mentira e que mentindo continua.

E mais uma mentira

Quando todo o mundo já sabia que no Iraque não existiam outras armas de destruição massiva que as usadas por seus invasores, a guerra continuou, apesar de já ter esquecido seus pretextos.

Então, em 14 de dezembro do ano 2005, os jornalistas perguntaram quantos iraquianos tinham morrido nos dois primeiros anos da guerra.

E o presidente Bush falou desse tema pela primeira vez. Respondeu:

– Uns trinta mil, mais ou menos.

E a seguir fez uma piada, confirmando seu sempre oportuno senso de humor; e os jornalistas riram.

No ano seguinte, reiterou esse número.

Não esclareceu que os trinta mil referiam-se aos civis iraquianos cuja morte tinha aparecido nos jornais. O número real era muito maior, como ele bem sabia, porque a maioria das mortes não é publicada; e bem sabia, também, que entre as vítimas havia muitos velhos e crianças.

Essa foi a única informação proporcionada pelo governo dos Estados Unidos sobre a prática de tiro ao alvo contra os civis iraquianos. O país invasor só contabiliza, em uma conta detalhada, seus soldados caídos. Os demais são inimigos, ou danos colaterais, que não merecem ser contados. E, de qualquer jeito, contá-los poderia ser perigoso: essa montanha de cadáveres poderia causar má impressão.

E uma verdade

Bush estava vivendo seus primeiros tempos na presidência quando, no dia 27 de julho do ano 2001, perguntou aos seus compatriotas:

– Vocês podem imaginar um país que não fosse capaz de cultivar alimentos suficientes para alimentar sua população? Seria uma nação exposta às pressões internacionais. Seria uma nação vulnerável. E por isso, quando falamos da agricultura americana, na verdade falamos de uma questão de segurança nacional.

Dessa vez, o presidente não mentiu. Ele estava defendendo os fabulosos subsídios que protegem o meio rural do seu país. “Agricultura americana” significava, e significa ainda, nada mais do que “Agricultura dos Estados Unidos”.

Contudo, é o México, outro país americano, que melhor ilustra seus acertados conceitos. Desde que assinou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos, o México não cultiva alimentos suficientes para as necessidades da sua população; assim, é uma nação exposta às pressões internacionais e é uma nação vulnerável, cuja segurança nacional corre grave perigo:

- Atualmente, o México compra dos Estados Unidos 10 bilhões de dólares em alimentos que poderia produzir;

- Os subsídios protecionistas tornam impossível a concorrência;

- Ao passo que vamos, daqui a pouco as tortillas mexicanas só continuarão sendo mexicanas pelas bocas que as comem, mas não pelo milho de que são feitas, importado, subsidiado e transgênico;

- O tratado prometeu prosperidade comercial, mas a carne humana, camponeses falidos que migram, é o principal produto mexicano de exportação.

Há países que sabem se defender. São poucos. Por isso são ricos. Há outros países treinados para trabalhar pela própria perdição. São quase todos os outros.

Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores

Carta Maior

W. Bush, os milionários, o consumismo e o subconsumo


FIDEL CASTRO*

Não é necessário provar que a matança prossegue com ódio crescente no Iraque, um país onde mais de 95% do povo é muçulmano - deles, mais de 60% são xiítas e o resto sunita -; e no Afeganistão, onde mais de 99% é também muçulmano – 80% sunita, e o resto xiíta. Ambos os povos estão constituídos de nacionalidades e etnias de diversas procedências e localização.

Além de soldados dos Estados Unidos, no Afeganistão estão envolvidos os de quase todos os Estados europeus, incluído o reforço francês ordenado por Sarkozy.

Os russos não se deixaram embarcar nesta guerra; sua cota de sangue ali tinha sido suficientemente ampla e seu custo político, incalculável. Seguramente, no Afeganistão morreram, como soldados soviéticos, cidadãos da Estônia, Lituânia, Letônia, Geórgia e Ucrânia, que hoje fazem parte ou aspiram a ingressar na Otan como repúblicas ex-soviéticas.

Outro fato muito real é que a luta contra a heroína não é mencionada em um país onde a guerra tem convertido aos que cultivam a papoula em capazes de abastecer as necessidades médicas de ópio e, além disso, de prover de drogas a uma cifra inúmera de pessoas.

O presidente da Rússia observa que a Otan cresceu de 16 para 28 membros. Bush declara que mirou nos olhos de seu interlocutor russo e leu seu pensamento - é o que faz com o teleprompter -, mas não explicou se escrito em inglês ou em russo.

Extraíram da Rússia mais de 500 bilhões de dólares através dos países capitalistas da Europa Ocidental, uma parte importante dos quais foram investidos em empresas altamente rentáveis ou residências de luxo, e o resto em bancos norte-americanos amparados pelo governo desse país. Tudo era ilegal e imoral. Antes de seu desaparecimento, a URSS foi vítima de sabotagens como o que fez explodir por meios técnicos o gasoduto da Sibéria, operado com software norte-americano, cavalo de Tróia do império, e desarmou-se unilateralmente ante Reagan, como tem sido demonstrado.

Não posso menos que lembrar da segunda-feira, 3 de abril, quando coloquei de lado o volumoso boletim das notícias internacionais, e peguei o Granma desse dia para me distrair um momento. Comecei por olhar a última página. Que surpresa! Juan Varela ilustrava-nos com uma descrição quase perfeita da diferença entre o Conejito de Aguada de Pasajeros, na província de Cienfuegos, e o de Nueva Paz, província de Havana [espécie de rua 25 de Março, em São Paulo], ambos abertos 24 horas por dia. No primeiro lutou-se e luta-se numa batalha até agora ganha. No segundo, ainda que se lute, não está ganha ainda.

Que nos conta Juan Varela? “Os vendedores procedem de diferentes lugares, funcionam como uma espécie de associação com um original sistema de aviso. Mediante sinais alertam a presença de agentes da autoridade ou de qualquer dirigente. Com felina mobilidade são capazes, em poucos minutos, de desmontar o palco de operações e transladar a mercadoria para um lugar conveniente. Ali esperam o sinal de normalidade.”

De onde procede aquilo que vende a quinta-coluna em Nueva Paz? São mercadorias subtraídas de fábricas, transportes, centros de armazenagem ou distribuição. Os que rendem culto ao egoísmo sem restrição alguma por parte do Estado, o que qualificam de perturbador, não poderiam construir jamais uma obra social sólida e duradoura, que em nossa época, com o desenvolvimento das forças produtivas, só pode ser fruto da educação e a consciência, criando valores que devem ser semeados e cultivados.

Não está proibido pensar; também não está proibido sonhar, mas pensar não prejudica ninguém; sonhando pode-se afundar um país ou algo mais: a própria espécie. Junto às forças produtivas, a ciência tem desenvolvido paralelamente as forças destrutivas. Alguém pode negar?

Nesse mesmo dia, viro a folha do Granma e me encontro com a seção “Por trás da notícia”, escrita por Elson Concepção Pérez. O que diz textualmente não tem desperdício:

“Nem uma só notícia da grande imprensa refere-se às diferenças sociais, ao desemprego, a inflação, entre outros males vindos com o capitalismo.

“Na Internet, não obstante, pode-se conhecer essa outra cara da moeda: um grupo de 300 romenos - os mais ricos -, tem atingido a espetacular cifra de mais de 33 bilhões de dólares, que representam 27% do PIB daquele país, segundo informou a revista Capital ‘Top 300’.

“Enquanto se contam aos milhões os que vivem abaixo da linha da pobreza, a nação do Leste Europeu tem um cidadão com uma fortuna calculada entre 3,1 bilhões e 3,3 bilhões de dólares. Seu nome é Dinu Patriciu, que recentemente vendeu uma parte da companhia petroleira Rompetrol ao grupo KazMunaiGaz, do Cazaquistão, por 2,7 bilhões de euros.” Quase 4 bilhões de dólares.

“Dinu destronou Iosif Constantin Dragan, que ficou relegado ao sétimo posto com um capital dentre 1,5 bilhão e 1,6 bilhão de dólares”, diz textualmente a publicação.

“Gigi Becali, dono do clube de futebol Steaua, tem a segunda maior fortuna, estimada entre 2,8 bilhões e 3 bilhões de dólares, que foi acumulada sobretudo no setor imobiliário.

“O ex-tenista e homem de negócios Ion Tiriac, o segundo homem mais rico em 2006, com ações na bolsa, seguros e automóveis, passou para o terceiro lugar com uma fortuna entre 2,2 bilhões e 2,4 bilhões de dólares”.

Até aqui é o que em forma detalhada informa Élson, na seção do Granma.

Lembremos todos que a Romênia era um país socialista, onde tinha petróleo e indústria petroquímica bastante desenvolvida, generoso solo e clima para a produção de alimentos protéicos e calóricos, para não citar outros ramos.

Tinha lá teóricos do acesso fácil aos bens de consumo, como os há em Cuba; ouvidos e olhos imperiais atentos a esses sonhos.

(...)

Se o império conseguisse obter de novo o controle de Cuba, não ficaria uma só das escolas de estudos superiores criadas pela Revolução para oferecer esse direito a todos os jovens; enviaria a maioria a cortar cana; é sua política declarada. Trataria de roubar os talentos artísticos e científicos já criados, como faz com os demais países de nosso hemisfério. Disponibilizar mais de 70 mil especialistas em Medicina Geral Integral e outras centenas de profissionais, ajudar a outros entre os mais pobres e exportar serviços, é um pecado que não pode tolerar de um povo do Terceiro Mundo.

Afinal de contas, temos resistido a seu bloqueio, suas agressões e seus brutais atos de terrorismo durante quase meio século.

Tive o privilégio de escutar importantes intervenções dos convidados latino-americanos e de outros países no VII Encontro Hemisférico de Luta contra os Tratados de Livre Comércio e pela Integração dos Povos. Dou-lhes obrigado por suas palavras solidárias e me junto a suas causas, que com tanto talento e coragem defendem. Formar consciência e mover politicamente às massas é uma grande consigna!

*Principais trechos da “Reflexão do Camarada Fidel”, de 10 de abril de 2008

Hora do Povo

Saturday, March 15, 2008

Violência Urbana, Até Quando?

Uma praga que se espalha por todo canto, cidades grandes, pequenas, médias e meio rural.Nada de novo.
Escrevo isso sob um efeito, difícil de explicar, acabo de perder um grande amigo vítima de assassinos cruéis que sem dar-lhe chance de defesa o alvejaram cinco vezes, por motivo aparentemente fútil, e nesse momento me estou com uma sensação maior ainda de impotência frente a isso, pois acabo de assistir uma moça, provavelmente saindo de seu trabalho ser assaltada - cena corriqueira, mas que poucas vezes presenciei.
Eu na janela sem poder fazer nada dois malandros de bicicleta, brancos bem vestidos, a atacaram, só não a agrediram mais, pois gritei, ela resistiu, mas nada puder fazer a não ser, contemplar, ela saiu desnorteada, caminhando atrás de seus algozes, liguei para um destacamento policial próximo de minha residência. O policial educado e solícito explicou-me que a única (isso mesmo a única) viatura disponível está em uma ocorrência de transito com lesão corporal e que deve ficar retida, nesta ocorrência por mais duas horas.
Quando isso vai ser diferente? Pagamos impostos que são desviados da sua aplicação, pois o Estado deve ser um "bom pagador", para quem? - fico me perguntando - para banqueiros e investidores inescrupulosos, que buscam o lucro a qualquer custo? E a dívida com a sua maior fonte de renda, a população?
Enquanto vivermos num país onde a educação de qualidade for privilégio de poucos, onde se deve com austeridade fiscal cumprir uma cartilha de corte de custo da máquina pública -mesmo que isso signifique mais insegurança nas ruas, deterioração do atendimento na saúde pública e menos crianças nas escolas continuaram se repetindo assassinatos gratuitos, roubos a cidadãos de bem e outras cenas babaras pelas ruas de nossas cidades.

Tuesday, March 04, 2008

Frente nacional luta por reforma da mídia no México

“É preciso aumentar o tamanho do campo, ter mais jogadores e um árbitro imparcial que não esteja capturado pelas emissoras de TV, para que a pluralidade exista na televisão e um punhado de pessoas não tenha a classe política em suas mãos", diz ex-senador que participa de movimento que reúne 47 organizações mexicanas.


Víctor Ballinas - La Jornada


Durante a constituição da Frente Nacional por uma Nova Lei de Mídia, da qual participaram 47 organizações civis mexicanas, o ex-senador Javier Corral Jurado exigiu do Senado da República que cumprisse a palavra empenhada de entregar, ainda este mês, um projeto de nova legislação em matéria de rádio e televisão.
No ato de apresentação da frente, Corral disse aos senadores que sugerem propor a reforma para o seguinte período de sessões: “Hoje como nunca, estão dadas as condições para legislar. Aqueles que propõem postergar o debate, na verdade buscam adiar novamente, de maneira indefinida, a decisão. A partir disso, negociam a não-reforma para tirar vantagem daqueles que ajudaram a derrubar”.
O ex-senador e presidente da Associação Mexicana de Direito à Informação (Amedi) afirmou: “É preciso aumentar o tamanho do campo, ter mais jogadores e um árbitro imparcial que não esteja capturado pelas emissoras de TV, para que a pluralidade exista na televisão e um punhado de pessoas não tenha a classe política em suas mãos, em detrimento da sociedade em geral”.
Lembrou aos legisladores o tratamento que Televisa e TvAzteca dão a eles quando atuam contra seus interesses: “Até parece que os coordenadores parlamentares no Senado não sabem o que aconteceu com eles nestes meses após a reforma eleitoral, o jeito como a televisão tem apagado eles das telinhas”.
E contou: “Vai ver que Manlio (Fabio Beltrones) não sabe que, enquanto ele e seus colegas coordenadores vão desaparecendo na cobertura, os governadores Peña Nieto, no estado do México; Ebrard, no Distrito Federal, e Emilio González, em Jalisco, passam por cima das reformas e entram na televisão por trás da fachada de novelas, programas especiais ou pela compra de entrevistas”.
Escutavam Corral personalidades como Carlos Monsiváis, o sacerdote Miguel Concha, artistas como Daniel Giménez Cacho, pesquisadores como Francisco José Paoli Bolio e Darío Ramírez, de Artículo 19; Aleyda Calleja, da Associação Mundial de Rádios Comunitárias; Edgar Cortez, da rede Todos os Direitos para Todos; jornalistas como Roberto Rock e Denise Dresser, entre outros.
O ex-senador apontou: “Nascemos hoje como frente para trabalhar todos os dias para que venha a reforma. O impulso social tem que se posicionar por sobre os interesses estritamente econômicos dos que dominam o rádio e a televisão”.
Aos senadores, Corral mencionou que na resolução da Suprema Corte – a propósito da ação de inconstitucionalidade promovida por meia centena de legisladores da passada legislatura – são formulados critérios e efeitos que são ineludíveis, não só para corrigir e sanar disposições anuladas, mas para legislar atendendo um conjunto de 23 recomendações contidas tanto no debate da resolução como no texto da sentença.
“Legislar para garantir a função social da mídia, a eficácia na prestação dos serviços, o uso social dos bens de domínio da nação e evitar fenômenos de concentração.”
Lembrou-lhes que a verdadeira ameaça para a liberdade de expressão “é a concentração da mídia em poucas mãos”. A Televisa, indicou Corral, é o único caso no mundo de uma concentração de freqüências muito alta. Essa empresa é o único caso no mundo que possui quatro sinais de televisão aberta (2, 4, 5 e 9) em uma única praça, a capital do país, “o espaço de saída necessário para outras redes nacionais”. Essa empresa tem, além disso, 56% das estações comerciais no México, e TvAzteca tem outros 38%.
Além disso, a Televisa possui 100% da televisão via satélite, 35% da fibra ótica e 38% do cabo, sublinhou.
Nesse ato, a escritora Denise Dresser disse que os grandes meios de comunicação se constituíram em poderes de fato, por cima das instituições, “com capacidade inclusive de dobrar a classe política à sua vontade, encarecer os processos eleitorais, cercear a liberdade de expressão dos indivíduos e determinar o curso das políticas públicas”.
Para conter os concessionários, disse, “é preciso um governo que atue como tal, que estabeleça as contenções suficientes e necessárias. Que imponha limites explícitos que possam garantir os direitos daqueles que resultem afetados pela mídia. Que garanta uma regulamentação que não funcione como uma mordaça, mas como um semáforo. Que regule os lucros legítimos em função de concessões transparentes”.
Em nome da Amedi, e como integrante da frente, Corral apresentou os pontos que deve conter a nova legislação: os direitos dos cidadãos a uma comunicação democrática; o serviço público que devem prestar as mídias eletrônicas e os direitos das audiências; o controle do Estado sobre o espectro de freqüências de rádio; aproveitamento pleno da convergência digital para todos os setores da sociedade; uma única lei para rádio e telecomunicações.
Da mesma maneira, um órgão regulador autônomo, com atribuições suficientes e responsabilidades específicas; direito de réplica; integridade dos conteúdos que evitem a censura; acesso universal e conectividade aos benefícios da convergência digital; liberdade, pluralidade, responsabilidade de acordo com padrões democráticos de liberdade de expressão; defesa dos interesses nacionais e tornar transparente o investimento estrangeiro; promoção das mídias autenticamente públicas, comunitárias e para povos e comunidades indígenas.
O sacerdote Miguel Concha, presidente do Centro de Direitos Humanos Fray Francisco de Vitoria, disse que “é hora de uma lei na qual por nenhuma circunstância a comunicação seja vista como negócio por cima dos direitos públicos”, e reconheceu que a proposta da Amedi, apresentada em 7 de novembro passado, é a mais acabada. Por sua vez, o ator Daniel Giménez Cacho ironizou: “Você tenta mudar de canal, mas acontece que você não pode, é sempre a mesma coisa”.


Tradução: Naila Freitas / Verso Tradutores


Agência Carta Maior

Wednesday, February 27, 2008

Liminar sobre Lei de Imprensa curva-se à autocracia da mídia

Ayres de Britto afirma que mídia golpista e democracia são “irmãs siamesas” e que carta branca para a calúnia é o ápice da liberdade

O ministro Ayres de Britto, do STF, concedeu liminar parcial ao pedido, transportado pelo deputado Miro Teixeira, de suspender a Lei de Imprensa. Pela decisão, estão suspensos os artigos que puniam os ataques à honra alheia e aqueles que estabeleciam limitações ao capital, à propriedade e à orientação estrangeiras na imprensa dentro do país. Tanto Miro quanto Britto argumentaram com o fato de que a Lei de Imprensa atual foi elaborada durante a ditadura. No entanto, com uma única exceção, todos os dispositivos suspensos fazem parte das leis de imprensa de todos os países civilizados.

Segundo Britto, “imprensa e Democracia, na vigente ordem constitucional brasileira, são irmãs siamesas. Uma a dizer para a outra, solene e agradecidamente, ‘eu sou quem sou para serdes vós quem sois’”.

Muito interessante a citação literária escolhida por Britto, o último verso do “Soneto da Mudança”, de Vicente de Carvalho. Resta saber qual a verdadeira posição do ministro em relação à imprensa, pois o soneto nada tem a ver com uma relação entre irmãs: “Não me culpeis a mim de amar-vos tanto/ Mas a vós mesma, e à vossa formosura:/ Que, se vos aborrece, me tortura/ Ver-me cativo assim do vosso encanto.// Enfadai-vos. Parece-vos que, em quanto/ Meu amor se lastima, vos censura:/ Mas sendo vós comigo áspera e dura/ Que eu por mim brade aos céus não causa espanto.// Se me quereis diverso do que agora/ Eu sou, mudai; mudai vós mesma, pois/ Ido o rigor que em vosso peito mora,// A mudança será para nós dois:/ E então podereis ver, minha senhora,/ Que eu sou quem sou por serdes vós quem sois”.

Britto pode ser o que é porque a imprensa é o que é, mas os monopólios de mídia não são “irmãs” da democracia, e, sim, seriais-killers de qualquer átomo democrático. Porém, Britto não somente diz que a mídia é irmã siamesa da democracia, como, pelo visto, propõe o amancebamento com ela.

MONOPÓLIOS

O que não muda o fato de que a maior restrição à liberdade que existe no país consiste nos latifúndios de comunicação, com a maioria esmagadora dos meios de comunicação nas mãos de menos de meia dúzia de monopólios. Porém, segundo Britto, em se tratando da imprensa, “o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja” (sic).

Para ele, a impunidade da difamação – o paraíso do Dr. Goebbels - é o ápice da liberdade. Não lhe parece uma aberração que, com isso, quase todos os brasileiros sejam privados da liberdade de expressão...

Além disso, é evidente que nada na sociedade pode não ter limite algum. Qualquer cidadão sabe que não pode mentir sobre a honra dos outros e que, se fizer isso, arrisca-se a parar na cadeia. Porém, Britto acha que deve haver uma exceção: os jornais, canais de TV, rádios, revistas, etc. É o que significa a expressão “o que quer que seja pode ser dito por quem quer que seja”. Ele não está falando de qualquer um. Se estivesse, estaria pregando o fim da sociedade humana – e do Direito. Ele está se referindo à mídia, está pregando que, para ela, e só para ela, não haja qualquer limite.
Já dizia Balzac que “as redações de jornal são os lupanares do pensamento”. Há, leitor, algumas exceções, entre elas este combativo periódico que no momento você está lendo. Porém, Britto está propugnando que o ápice da liberdade seja o tacão desses bordéis sobre a coletividade.

Tanto é verdade que ele se esmerou em suspender na Lei de Imprensa tudo o que diz respeito à limitação ao domínio estrangeiro. Quem acha que ter a imprensa dentro do país controlada pelo Murdoch e outros gangsters é uma garantia para a democracia brasileira? Portanto, não foi para aumentar a liberdade de expressão que Britto expediu o seu malfadado veredicto. Até ele sabe que foi, única e tão somente, para, ao arrepio do Direito, bajular a mídia daqui e de fora.

O deputado Miro Teixeira, que, acumpliciado com o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, impediu a CPI da TVA/Telefónica, ou seja, impediu a investigação de uma falcatrua despudorada - a ilegal venda, pelo grupo da “Veja”, da TVA à Telefónica - fez outra vez o triste papel de office-boy desses monopólios. Agora, prestou serviço à “Folha de S. Paulo”, que berrava como uma arara histérica pelos processos movidos contra ela pela Igreja Universal.

ILEGAL

O que é, também, um dos maiores escândalos da liminar de Britto: para livrar um monopólio das conseqüências de uma acusação sem provas, ele, objetivamente, colocou o STF a serviço dele, e, em poucas horas, emitiu uma liminar tão ilegal que ele mesmo preocupou-se duas vezes, numa exígua sentença, em dizer que não estava desrespeitando a lei. O problema é que, como relator, ele só poderia conceder uma liminar em caso de “extrema urgência ou perigo de lesão grave” (Lei 9.882/99, art. 5). E não havia qualquer extrema urgência, nem perigo de lesão grave. O que havia era a histeria da “Folha”, esperneando por não poder dizer “o que quer que seja”, sem apresentar prova de coisa alguma.

Há algum tempo, Britto professou, em considerações jurídicas, que “o Judiciário não governa, mas ele governa quem governa”, tese que, provavelmente, faria Ruy Barbosa, Clóvis Bevilácqua, Nelson Hungria, e outros próceres do Direito, abandonarem sua pacatez e aderirem ao chamado desforço físico.

Há dois anos, o mesmo Britto defendeu, em meio à indignação de Sepúlveda Pertence e até de Nelson Jobim – nesse caso, insuspeito – que um deputado podia ser condenado à cassação por acusações à sua atuação fora do mandato, como ministro de Estado. Reparemos que todo mundo sabia da inexistência de uma única prova contra José Dirceu. E, se alguém disser que essa última questão nada tem a ver com a primeira, lembraremos Ruy Barbosa, que há muito execrou tal formalismo (“não há salvação para o juiz covarde”). A hermenêutica de Britto serviu somente para uma coisa - cassar o mandato de José Dirceu.

Nos dois casos, há uma coerência – a coerência da subserviência. É evidente que não é função do Judiciário – nem é possível a ele - governar o governo. A função do Judiciário é garantir a aplicação da lei e punir as transgressões a ela. Mas, certamente, a mídia golpista quer usar o Judiciário, não para governar o governo Lula, mas para inviabilizá-lo e desmoralizá-lo. No entanto, segundo Britto, “nós queremos levantar tapetes, abrir portas, devassar os recintos. Isso é típico da democracia”.

Pois nós aqui só queremos justiça. E que os juízes ajam como juízes, e não como megafones da “Veja”. Democracia não é chicana, nem exercício de voyeurismo, mas o respeito à vontade do povo. Naturalmente, essas tolices ditas pelo insigne bardo e jurista são apenas versões que a mídia passa para os tolos a quem quer usar.

A questão é que há uma mídia que quer submeter a Justiça para que se torne o contrário do que deve ser – mera acobertadora de seus crimes. É sintomático que Britto – pois não é o Judiciário que o faz - ambicione “governar o governo”. Tal ambição não é parte integrante do Direito. É apenas a expressão invertida e algo confusa da sensação de que algo ou alguém estranho governa as suas decisões. Não é necessário comentar sobre porque ele atribui esse sentimento, que é só seu, ao Judiciário.

CARLOS LOPES
Hora do Povo

Thursday, November 15, 2007

Lula: “o que não falta é democracia na Venezuela”

“Que eu saiba, na Venezuela já tiveram três referendos, quatro plebiscitos,três eleições, ou seja, o que não falta é discussão”
“Podem criticar o Chávez por qualquer outra coisa, inventem uma coisa para criticar o Chávez. Agora, por falta de democracia na Venezuela, não é”, afirmou o presidente Lula, em relação à reforma constitucional na Venezuela.
Em entrevista no Itamaraty, quarta-feira, Lula destacou a participação popular no país vizinho. “Eu estou há cinco anos no poder, vou chegar a oito anos, participei de duas eleições, duas para presidente e duas para prefeito. Que eu saiba, na Venezuela já tiveram três referendos, já tiveram três eleições, já tiveram quatro plebiscitos, ou seja, o que não falta é discussão”, disse.
Segundo o presidente, “democracia, a gente submete aquilo que a gente acredita ao povo, o povo decide e a gente acata o resultado, porque senão não é democracia. As pessoas se queixam ‘ah, porque o Chávez quer um terceiro mandato’. Ora, por que ninguém se queixou quando Margaret Thatcher ficou tantos anos no poder?”
Ao ser questionado se não seriam situações distintas, Lula frisou: “Não tem nada de distinto, muda apenas o sistema, muda apenas o regime: de regime presidencialista para regime parlamentarista. Mas o que importa não é o regime. É o exercício do poder. Ninguém se queixa do Felipe González, que ficou tantos anos, ninguém se queixa do Mitterrand que ficou tantos anos, ninguém se queixa do Helmut Kohl, que ficou quase 16 anos”.
“O que nós precisamos é apenas respeitar a autonomia e a soberania de cada país. Se nós dermos menos palpite nas regras do jogo dos outros países e olharmos para o que nós estamos fazendo, todos nós sairemos ganhando. Se a gente achar que pode dar palpite em tudo, que só pode acontecer no mundo aquilo que a gente gosta, aquilo que a gente quer, nós seremos eternamente infelizes. Se nós deixarmos que os outros decidam o seu destino e cuidarmos de decidir o nosso, todos nós seremos muito mais felizes, justamente agora que o petróleo está aí”, sublinhou.
Ao ser perguntado se continua defendendo a entrada da Venezuela no Mercosul o presidente respondeu: “Continuo defendendo, continuo trabalhando”.
Sobre o episódio que envolveu o presidente Chávez e o rei Juan Carlos , Lula declarou: “nós somos um conjunto de países democráticos, que fazemos uma reunião democrática, onde todos têm o direito de falar, tema livre, aquilo que lhe interessa, e não há divergências apenas entre o rei Juan Carlos e o Chávez. Há muitas divergências entre outros chefes de Estado, e a divergência faz parte de um encontro democrático”, disse. “Houve uma fala do Chávez, que o Rei achou que era demais, que era uma crítica ao ex-primeiro-ministro da Espanha, que tinha apoiado o golpe venezuelano, num primeiro momento. Mas essas coisas acontecem. Qual é a diferença? A diferença é que o Rei estava na reunião. Quem falou “cala-te” foi o Rei, não foi um de nós”.
Hora do Povo

Wednesday, November 07, 2007

Venezuelanos vão às ruas pelo “Sim” à reforma constitucional


A reforma constitucional mais democrática da história do país será concluída no dia 2 com o Referendo. O presidente Chávez liderou a marcha de 1 milhão em Caracas pelo “Sim” às mudanças
O presidente Hugo Chávez liderou no domingo, dia 4, o lançamento da campanha a favor do “Sim” para o Referendo já marcado para o dia 2 de dezembro, quando a Reforma da Constituição aprovada na Assembléia Nacional, após ampla discussão entre os deputados e, simultaneamente, debatida em milhares de encontros e assembléias populares, será submetida à aprovação do povo venezuelano nas urnas. Chávez esteve à frente da grande manifestação pelas ruas de Caracas, com centenas de milhares de participantes – os organizadores avaliaram em cerca de 1 milhão – que, vestidos de vermelho, ocuparam quilômetros de avenidas e ruas transversais, e atravessaram a capital venezuelana de ponta a ponta.
A Reforma Constitucional proposta pelo líder venezuelano busca fortalecer a democracia, o poder popular, garantir a soberania, e ampliar o marco legal para alcançar o funcionamento da economia socialista.
SOLIDARIEDADE
“Este clamor do povo está concentrado nesses 69 artigos da reforma constitucional que vão aprofundar a verdadeira democracia, uma democracia de inclusão, de igualdade, de solidariedade, onde o povo com nome e sobrenome está representado, os operários, os taxistas, os professores, os artesãos, os pescadores, todo o povo está cada dia mais com o poder de decisão nas suas mãos. Esta é uma reforma para incluir inclusive aqueles que não estão com o processo revolucionário que vivemos em nosso país, porque eles também vão ser beneficiados. Se não forem criminosos, mal intencionados e traidores da Pátria, todos vão ser beneficiados”, assinalou a deputada Cilia Flores, presidente da Assembléia Nacional, AN, no inicio do ato final da marcha.
Sobre o Referendo do próximo dia 2, convocado pelo Conselho Nacional Eleitoral, o presidente assegurou que “a oposição tem todo o direito e garantia para que chame sua gente para votar pelo “Não”; para que faça suas propostas, mas de forma pacífica. Nós chamamos a votar pelo “Sim”, pois essa é a única opção que temos pela frente e é a opção na qual deveriam estar jogando, porque estas eleições definem muita coisa para nosso futuro”. “Quem de verdade ama a democracia não pode ter medo do voto. E nós damos aula de voto, ganhamos todas nos anos em que estamos no governo”, destacou, referindo-se a certo setor da oposição que “anda invocando um golpe e enchendo de violência as ruas”.
AMPLITUDE
Numa demonstração da amplitude do processo, depois da proposta inicial do presidente Chávez — que incluía mudanças somente em 33 artigos da Carta Magna —, e após dois meses de discussão, essa cifra se elevou a 69, em virtude da discussão e análise da Assembléia Nacional e do denominado parlamentarismo na rua, que não é mais que a participação ativa do próprio povo, com observações, novas propostas e críticas.
“Não tenho dúvidas que é o mais importante de todos os referendos que se realizaram, incluindo o revogatório de agosto de 2004 e o de dezembro de 1999 com o qual se aprovou a atual Constituição”, assinalou Chávez.
A grande manifestação convocada pelo Comando Zamora, órgão composto por lideranças políticas e sociais com a função de ampliar o debate sobre a Reforma Constitucional, e pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), se iniciou na zona leste da capital, e se estendeu pela longa Avenida Francisco de Miranda e por outras artérias até seu ponto final de encontro na central Avenida Simón Bolívar, onde a população alegre e entusiasmada aguardava seu líder sem desanimar a pesar das reiteradas pancadas de chuva que ocorreram.
VITÓRIA
“Aqui estamos começando outra grande batalha para obter outra grande vitória. O caminho da revolução é o caminho das mil batalhas. Temos feito coincidir o caminho das mil batalhas com o caminho das mil vitórias. É assim, não é moleza não, não podemos parar. Não estamos nos enfrentando só com alguns venezuelanos que renegaram sua pátria, estamos nos enfrentando com o Império, com suas mazelas e todos seus recursos, que não são poucos, que pretende impedir a revolução, as mudanças, o socialismo”, afirmou Chávez, após ser apresentado pelo ex-vice-presidente, José Vicente Rangel. Por isso, assegurou que não haverá descanso nesta campanha até seu fechamento em primeiro de dezembro, para no dia 2 votar Sim e Sim, em referência aos dois blocos em que se apresentará a Reforma.
Chávez chamou o povo a tomar as ruas para defender a Revolução e pediu às autoridades para não ser permissivas com os perturbadores da ordem. “A democracia não é bagunça, não é o desconhecimento da vontade da maioria tantas vezes provada nas urnas e nas ruas, como hoje, não é um grupinho de filhinhos de papai quebrar tudo o que encontram na frente porque é da sua vontade”, frisou e alertou uma vez mais à oposição que constantemente pretende desconhecer as leis e incita a um golpe militar. “Por nenhum caminho vão nos derrotar”, advertiu, e acrescentou: “É a mesma agenda golpista e é a mesma derrota que os espera”. “Agora é que vamos ver o diabo passar a ter muito trabalho”, acrescentou sob o aplauso dos manifestantes.
BANDEIRAS
Com bandeiras venezuelanas, cartazes de apoio à Reforma e ao socialismo, fogos de artifício e placas do PSUV, os manifestantes expressaram seu apoio ao governo bolivariano e condenaram os reiterados chamados da “esquálida oposição” para a desobediência civil, e a permanente guerra da mídia privada, nacional e internacional, contra o projeto que será submetido à consulta popular.
O presidente ressaltou ainda que é importante diminuir os índices de abstenção, ao lembrar que no referendo revogatório de agosto de 2004 ela foi de 30%, enquanto que no de dezembro de 1999, quando se aprovou a Constituição que hoje está em vigência, esteve por cima do 53%.
Chávez finalizou conclamando a população a “vencer a abstenção, para que não fique dúvida que a grande maioria dos venezuelanos aprovam a reforma constitucional”
SUSANA SANTOS

Diretor da Época, no blog “Faz Caber”:


“Para fazer a capa desta semana foi feita uma pesquisa de imagem muito específica. O presidente da Venezuela Hugo Chávez teria que estar com cara ameaçadora. Foi muito difícil, ele tem uma cara gorda e simpática, não dá medo em ninguém. A imagem que mais chegou próximo do objetivo foi a que ele está de boina vermelha olhando para o lado esquerdo. Para deixar a imagem ainda mais forte, o nosso ilustrador Nilson Cardoso fez um trabalho de manipulação na imagem original, até chegar a este resultado final.
O que acham? Façam seus comentários
Marcos Marques - diretor de arte”

Para “Veja”, vale tudo contra a democracia na Venezuela


Nessa linha, “Época” foi atrás e fraudou até foto

Há algum tempo, a “Veja”, sempre na vanguarda de tudo o que não presta, falsificou uma foto de João Pedro Stédile, líder do MST, manipulando-a por computador para apresentá-lo com feições sinistras e algo diabólicas. Pois a “Época”, da Globo, resolveu imitar a sua congênere. Foi exatamente o que fez com a imagem do presidente venezuelano Hugo Chávez, na capa da semana passada.

Verdade seja dita, nesse terreno – o da falta de escrúpulos, da canalhice, em suma, do fascismo editorial – a “Veja” continua sem competidores. Haja vista a matéria de capa desta semana, cujo assunto - de surpresa nós não vamos morrer - é o presidente Hugo Chávez.
POPULAÇÃO
Quem revelou a falsificação na capa de “Época” foi nada menos que o diretor de arte da revista, Marcos Marques (v. suas declarações em nossa primeira página). Não estava fazendo uma denúncia. Pelo contrário, estava expondo a competência do departamento que dirige. O incrível é que o diretor de arte e seus comandados parecem achar absolutamente normal esse procedimento. Parecem achar que a profissão é uma licença para fazer qualquer coisa que o patrão mandar, inclusive, ludibriar os leitores.
Chávez não falsificou nenhum retrato – e nenhuma história – da família Marinho. No entanto, os Marinho acham que podem chamar Chávez de ditador, falsificando a foto e os fatos...
Quanto à matéria, é de uma estupidez garrafal. Quem pode acreditar que Chávez está reaparelhando as forças armadas da Venezuela para atacar o Brasil, e não para se defender dos americanos? É preciso uma mente asinina para crer em tamanha estultice. Mesmo assim, não é qualquer asno que consegue achar que o Brasil, 9 vezes maior - e com uma população que é 7 vezes a do país vizinho – está ameaçado pela Venezuela.
Quanto à “Veja”, é outra coisa. Nesta semana, em 11 páginas de xingamentos, a prova de que Chávez é um ditador se resume a 7 artigos da Constituição – entre os 350 que a compõem. Os artigos são os seguintes:
1) O artigo 11, que dá poderes ao presidente para estabelecer regiões militares especais em qualquer parte do país.
“Veja” sabe perfeitamente que este é um dispositivo que existe em qualquer Constituição – inclusive na dos EUA e na do Brasil.
2) O artigo 16, que estabelece o Poder Popular baseado nas comunidades locais.
“Veja” quer passar a idéia de que trata-se de um poder paralelo ao do Estado, quando é apenas uma forma, que não se sobrepõe ao poder federal, estadual ou municipal, de complementar e democratizar o poder político em comunidades localizadas.
3) O artigo 115, que define que, por utilidade pública ou interesse social, poderão ser desapropriados determinados bens.
O Civita, americano que o é, não deve ter lido o artigo 5º da nossa Constituição, incisos XXIII e XXIV. O Estado brasileiro tem o mesmo poder e o nosso texto constitucional tem quase a mesma redação do venezuelano. Mas o Civita & matilha querem ter o monopólio da expropriação dos bens de outros...
4) O artigo 153, que propõe que a Venezuela envide esforços para construir na América um projeto supranacional.
Desde que o presidente Sarney fundou o Mercosul, o Brasil está envidando esforços exatamente no mesmo sentido, o que foi retomado pelo presidente Lula, inclusive com a CASA (Comunidade Sul-americana de Nações). Mas o Civita prefere a Alca, ou seja, em vez de um projeto supranacional, um de submissão nacional.
5) O artigo 230, que acaba com as restrições a que o povo possa reeleger o presidente.
Até Eisenhower, apesar de republicano, era a favor desse direito democrático. Disse ele que “o povo americano deve eleger quem ele quiser, quantas vezes quiser”. As restrições à reeleição consistem em limitações à democracia, cuja essência é a vontade do povo, não o impedimento à vontade do povo.
6) O artigo 318, que estabelece que a política monetária deverá ser estabelecida em conjunto pelo Executivo e o Banco Central.
O presidente Chávez é um homem moderado. O Brasil é mais radical: constitucionalmente, é o Executivo que estabelece a política monetária. O BC é um mero aplicador. Até o Meirelles sabe disso, pois vive citando o conteúdo desse dispositivo.
7) O artigo 337, que estabelece que o presidente poderá decretar estados de exceção no país.
Pois é, aqui também (artigo 21 da nossa Constituição).
Muito interessante, também, são os conceitos emitidos sobre democracia, pela “Veja”. Por exemplo: “Hugo Chávez foi escolhido em eleições democráticas em 1998. O partido nazista teve um terço dos votos em 1933. Á frente de sua milícia, Mussolini impôs sua nomeação como primeiro-ministro. Para todos eles, isso foi a etapa inicial da ditadura”.
Logo, a democracia é a etapa inicial da ditadura e não há outro jeito de evitar as ditaduras, senão acabando com a democracia. Não é brincadeira, leitor. O problema de Chávez não é que ele seja um ditador, o problema é que ele é um democrata, logo, segundo a “Veja”, é inevitável que ele seja um ditador. Por isso, ela coloca no mesmo saco as eleições democráticas da Venezuela e as eleições de 1933 na Alemanha, realizadas depois da proibição do Partido Social-Democrata e do Partido Comunista e da prisão em massa dos dirigentes e militantes de ambos os partidos. Da mesma forma, a “marcha sobre Roma”, de Mussolini, cujo objetivo era passar por cima das instituições - inclusive, e sobretudo, das eleições – virou exemplo de democracia. Mas, realmente, essa é a democracia do Civita, isto é, o fascismo.
DIAS
O resto é um besteirol de mesmo teor:
a) Chávez “arrancou do parlamento a autorização para governar sem o parlamento”. Parece até que as medidas provisórias e as ordens executivas dos EUA são alguma novidade.
b) A “milícia” da Constituição da Venezuela não são de Chávez; são a reserva do exército, isto é, todos os reservistas, organizados e comandados pelo exército.
c) Chávez não fez expurgo algum do Judiciário. Apenas, como qualquer presidente, inclusive o nosso, cumpre a ele nomear juízes de determinadas instâncias.
d) O que “Veja” chama de “lavagem cerebral” da juventude é que a educação deixou de ser privilégio dos brancos e ricos, e o ensino passou a ter algo a ver com a realidade do país.
Por último, não há perseguição aos opositores, que continuam proprietários da maioria dos órgãos de comunicação do país. A oposição é que tentou dar um golpe, rasgar a constituição, fechar o Congresso e o Judiciário, no que foi efusivamente saudada pela “Veja”. Mas a esbórnia durou apenas dois dias.
C. L.
Reprodução de HORA DO POVO

Tuesday, August 14, 2007

A grande imprensa está sob ataque” – assim começa o artigo de Ali Kamel, publicado há alguns dias em “O Globo”.

Kamel e o teste das mentiras

““Grande imprensa” é como Kamel, ex-editor assistente da “Veja” e atualmente diretor de jornalismo da Rede Globo, chama a mídia golpista. Parafraseando um dito célebre, essa imprensa só lhe parece “grande” porque Kamel vive em permanente genuflexão. No entanto, mesmo nessa posição incômoda, ele esforça-se por dar cambalhotas: tudo é invertido - naturalmente, o país é que esteve sob ataque dessa mídia. Por isso, ela levou a pior. É dessa última parte do negócio que Kamel está se queixando.

Porém, não é a imprensa, grande ou pequena, que Kamel quer defender. Ele está defendendo apenas a si próprio, ao seu lauto salário - e à sua incompetência, que levou a “Globo” a uma situação inédita de acelerado descrédito. Kamel é, sem dúvida, o mais inepto diretor de jornalismo que a “Globo” já teve.

Inclusive, e sobretudo, do ponto de vista do ilusionismo e da prestidigitação que são chamados de jornalismo pela “Globo”. Kamel é incapaz de disfarçar os truques que está tentando fazer. Assim, o “jornalismo” torna-se inútil, e, pior que isso, um risco para a própria “Globo”, além de um estrupício para os anunciantes, que são associados, sem querer, à desonestidade flagrante do veículo onde anunciam.
Voltemos ao seu artigo. Diz ele: “na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. Não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

Resumindo: a mídia não erra. Não mente. Não falseia nem falsifica. Ela apenas “testa hipóteses”. Não tem culpa se a hipótese é falsa. Para que ela noticiasse apenas os fatos, seria necessário que ela fosse “pitonisa” ou “adivinha” (o que, aliás, é a mesma coisa).

Kamel não explica porque o “testar hipóteses” que preconiza como o supra-sumo da atividade jornalística é sempre contra o mesmo lado e a favor do mesmo outro lado.

CALÚNIAS

Mas é interessante essa nova teoria jornalística. “Testando hipóteses”? Sim, leitor, foi isso o que o sujeito escreveu. Ao invés de noticiar os fatos, a imprensa tem que “testar hipóteses”. Será possível forma mais desastrada de confessar a mentira, ainda por cima defendendo que é muito justo mentir? Só se ele escrevesse algo como: “desde o primeiro instante a mídia golpista foi, honestamente, mentindo, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

Mas, dessa honestidade o sr. Ali Kamel realmente não é capaz. Nem que um raio o atingisse no caminho para a Barra da Tijuca (lá é a central de novelas e não de jornalismo? Perdão, leitores, pela compreensível confusão).

Continuemos: jornalismo que, em vez de noticiar os fatos, fica “testando hipóteses” é mentira, calúnia, e não jornalismo. Pois é exatamente esse o “jornalismo” que Kamel defende. Não por acaso, seu primeiro cargo de importância foi na “Veja”, que não faz outra coisa: fica “testando hipóteses” que interessam aos seus donos. Kamel levou essa tecnologia para a “Globo” – que, desde que ele deu com os costados lá, não faz outra coisa senão seguir a “Veja” com alguns dias de atraso.
Porém, vejamos algumas hipóteses que ele testou recentemente:

1) Às vésperas do primeiro turno das eleições passadas, Kamel “testou a hipótese” de que não existia um avião da Gol, com 154 pessoas a bordo, que estava desaparecido. Todos os telejornais daquele dia divulgaram o desaparecimento, menos um: o “Jornal Nacional”. Kamel “testou essa hipótese” porque achou que a divulgação do desaparecimento do avião ofuscaria o “teste” de outra “hipótese”: a de atribuir, dois dias antes das eleições e com o programa eleitoral gratuito encerrado, ao presidente Lula a compra de um dossiê, com a exibição escandalosa das imagens do dinheiro com que alguns aloprados tentaram adquiri-lo – imagens, de resto, inteiramente ilegais. Tudo isso para “testar” outra “hipótese”: a de que o presidente Lula não fosse o eleito. As três “hipóteses” eram falsas, mas Kamel, segundo seu parecer, não errou. Estava apenas “testando hipóteses”. Afinal, o rapaz não é “pitonisa”.

2) Em seguida, Kamel “testou a hipótese” de que a queda do avião da Gol não havia sido provocada pelos dois irresponsáveis pilotos norte-americanos do Legacy, como era evidente, mas pelo controle de vôo da Aeronáutica. A hipótese também era falsa. Mas Kamel também não errou. O problema é que ele não “adivinha”. Por isso, estava “testando a hipótese” da realidade ser falsa e do falso ser realidade.

3) Mas Kamel não desanimou: arrumou uma nova hipótese para testar: a de que o irmão mais velho do presidente da República, Vavá, um homem idoso, pobre e doente, era um terrível gênio do tráfico de influência. Nada havia que indicasse qualquer influência de Vavá no governo ou na máquina administrativa, nenhum suposto pedido seu havia sido atendido – e, aliás, nem feito. Seria o primeiro cidadão a traficar influência sem ter influência. Mas isso são questões de somenos importância. Importante era “testar a hipótese” – que também era falsa, mas o importante é testar. A realidade, que se dane.

4) Convicto, Kamel continuou seus experimentos, sempre “testando hipóteses”: diante de uma vaia claramente armada pelo ilustre filósofo do factóide, César Maia, Kamel insistiu que eram “vaias espontâneas” ao presidente. Ele realmente estava bem informado: segundo vários relatos, Kamel participou de uma reunião onde a vaia espontânea foi discutida – e armada. Portanto, a vaia só poderia ser espontânea, ora essa. O problema é que todo mundo viu que não foi. Mas o importante é que a hipótese foi testada, isto é, a vaia apareceu no “Jornal Nacional”.

5) Por último, nesse resumo das atividades científicas de Kamel: menos de uma hora após a queda do avião da TAM, a “Globo” já tinha lançado a hipótese de que o problema era a pista que o governo reformara, que a falta de “grooving” causara o acidente, e que a culpa era do presidente Lula. Não se sabia nada sobre as condições do pouso, a caixa-preta não havia sido encontrada, não havia nem mesmo palpite de algum técnico, mas Kamel, dinâmico como sempre, já estava “testando” a sua hipótese: a culpa é do Lula. O teste deu errado. Ou, melhor, deu certo, porque, como se sabe, a mídia não erra. A “hipótese” é que era falsa.

FABRICAÇÃO

Referindo-se a estudos sobre a mídia que apontam a cavalar falta de isenção contra Lula nos meses anteriores às eleições, diz ele: “tais estudos se esquecem apenas de contar que todo o noticiário sobre o mensalão e outros escândalos foi considerado prova de desequilíbrio contra Lula. Ora, se é assim, qual seria a alternativa para que o estudo apontasse equilíbrio? Não noticiar os escândalos? Mas isso sim seria perder o equilíbrio e a isenção”.

Não é uma gracinha? Os caras fabricam um escândalo, não conseguem provar nada, passam por cima de todas as evidências e provas, tentam dar um golpe, difamam, insultam e caluniam, e depois acham uma injustiça que se aponte que essa porcaria toda era mera tentativa golpista. Segundo Kamel, se não divulgasse o que ele mesmo fabricou, “isso sim seria perder o equilíbrio e a isenção”. Ou seja, as hipóteses que Kamel testa são sempre contra Lula porque Lula é sempre culpado, não importa o que faça – ou deixe de fazer.

CARLOS LOPES

Friday, July 20, 2007

Globo” manipula a tragédia em SP para insuflar “crise aérea” e jogar culpa em Lula

RCTV dos Marinho dá novo golpe na praça

Na própria noite da tragédia, a Globo já sabia de tudo. Não precisou de investigações, de pareceres técnicos, nem de ouvir a caixa preta ou ver os vídeos do aeroporto. A culpa era da pista, logo do governo e do presidente. Nenhum respeito pela dor humana, pelos pais, mães, esposas, irmãos e amigos que sofriam uma perda que parecia inacreditável. Nenhum respeito pelos que morreram. Nenhum pela verdade. Somente a tentativa de extrair a fórceps das famílias em lágrimas, e de profissionais e especialistas, declarações contra o governo. Na quarta, os vídeos deixaram claro que o desastre nada tinha a ver com a reforma da pista. Porém, há meses, qualquer coisa que acontece no ar é atribuída a uma “crise aérea”, crise que é, na maior parte, fabricada pelo açula-mento da mídia golpista, principalmente da Globo.


Jornal Hora do Povo

Monday, July 09, 2007

As conspirações da CIA e a mídia

“A advogada estadunidense Eva Golinger denunciou recentemente que a Casa Branca financia veículos e jornalistas venezuelanos”, afirma o jornalista Altamiro no presente artigo


*ALTAMIRO BORGES
“A CIA tem o direito legítimo de se infiltrar na imprensa estrangeira. Ela tem a missão de influir, através dos meios de comunicação, no desenlace dos fatos políticos em outros países” - William Colby, ex-diretor-geral da CIA


A sinistra CIA, a agência de espionagem e sabotagem dos EUA, acaba de divulgar vários documentos até então classificados como ultra-secretos. Eles compõem os arquivos sugestivamente chamados de “jóias da família”, apelido que designa algumas operações ilegais deste organismo que causam constrangimento ao governo ianque. São 11 mil páginas que revelam as ações terroristas do imperialismo em várias partes do planeta entre os anos 50 e 70. Os documentos comprovam que esta central de “inteligência” sempre teve um papel ativo na América Latina. A desclassificação periódica destes relatórios é uma exigência legal e não significa que a CIA tenha abandonado os seus métodos espúrios de interferência em nações soberanas.
No caso do Brasil, tratado na época como “maior alvo do comunismo” na região, a CIA ajudou a orquestrar o golpe militar de 1964. Um dos documentos afirma que o presidente João Goulart é “um oportunista que ascendeu ao governo com o apoio da esquerda”, taxa Leonel Brizola de “líder demagogo anti-americano” e acusa o governador Miguel Arraes de ser “um pró-comunista”. O texto tenta criar um clima de pânico na burguesia ao falar da “crescente influência” do Partido Comunista. Outro documento, intitulado “A igreja engajada e a mudança na América Latina”, critica seu setor progressista e ataca dom Hélder Câmara, cujo “forte é fazer publicidade e exigir reformas, sem oferecer soluções práticas aos problemas que ele cria”.
MÁFIA E ASSASSINATO DE FIDEL CASTRO
Na época, no auge da chamada “guerra fria”, a maior preocupação dos EUA e de sua agência era com o aumento da influência da revolução cubana. Os documentos confirmam que a CIA se aliou à máfia para tentar envenenar o líder Fidel Castro. Um deles dá detalhes da contratação do ex-agente Robert Maheu para realizar “uma ação do tipo de gângsteres”, que envolveu vários chefes mafiosos, como Salvatore “Momo” Giancana, o sucessor de Al Capone. A CIA disponibilizou US$ 150 mil e forneceu seis pílulas “de alto poder letal” para assassinar o dirigente cubano. Allen Dulles, o chefão da agência, coordenou a operação terrorista pessoalmente, mas ela foi desativada devido a um grotesco incidente passi-onal de Giancana.
Há também relatos sobre os planos da CIA para desestabilizar o governo chileno e assassinar o presidente Salvador Allende, inclusive com o uso de “empresas de fachada” para transportar armas. Outros relatórios descrevem várias operações ilegais de espionagem e sabotagem no continente, visando derrubar governos nacionalistas e destruir movimentos contrários ao domínio imperial. “Os EUA não podiam permitir uma outra Cuba no continente. Foi por isso que Kennedy, cuja diretriz da política para a América Latina era apoiar governos reformistas, apoiou ditadores”, explica Mary Junque-ira, professora de história da USP.
TARJAS PRETAS E GRAVES OMISSÕES
Os documentos agora desclassificados revelam apenas uma pequena parte dos crimes orquestrados por esta agência. Muitos textos ainda aparecem com longas tarjas pretas; nomes e detalhes das operações ilegais são omitidos. Não há menção, por exemplo, ao famoso “manual de torturas” da CIA, com seu “método médico, químico ou elétrico”, que serviu de orientação para vários ditadores no mundo. O assassinato de mais de um milhão de patriotas no golpe de 1965 na Indonésia também é excluído, assim como a brutal intervenção que derrubou o primeiro-ministro nacionalista do Irã, Moha-mmad Mos-sadegh, em 1953. Como afirma o jornal Hora do Povo, “a lista seletiva de crimes da CIA é uma operação de acoberta-mento”; visa limpar a imagem desta agência terrorista e de seus agentes e serviçais que continuam na ativa, inclusive na América Latina.
“O que estaria levando a famiglia Bush a divulgar estes documentos? Seria, como disse o general Michael Hayden, ‘porque os documentos verdadeiramente nos permitem vislumbrar uma era muito diferente e uma agência muito diferente’ e que a CIA agora tem ‘um lugar muito mais forte no nosso sistema democrático dentro do poderoso referencial legal’? Ele estaria se referindo a Abu Ghraib e Guantâ-namo? Ou às prisões secretas no mundo inteiro, seqüestros e vôos de tortura? Ao ‘Programa Talon’, dirigido contra organizações anti-guerra? Ou ao grampo da internet, do correio, do telefone e até dos cartões de consulta às bibliotecas dentro dos EUA? Às ‘novas técnicas’ de preparação para a tortura, ministradas pelo general Miller? Aos atentados e esquadrões da morte da CIA no Iraque?”, questiona, com justa ironia, o jornal Hora do Povo.
RELAÇÕES ÍNTIMAS COM A MÍDIA
Entre as graves omissões chama a atenção o fato destes documentos não se referirem às guerras ideológicas orquestradas pela CIA através do uso enrustido dos meios privados de comunicação. Como a mídia está na berlinda na atualidade, em especial na América Latina, é compreensível que o governo Bush a mantenha sob forte proteção. Neste sentido, os documentos desclassificados agora ficam muito aquém dos relatórios produzidos em 1976 por uma comissão de investigação do Congresso dos EUA, presidida pelo senador Frank Church. No caso do sangrento golpe militar do Chile, a comissão constatou que o jornal El Mercurio recebeu milhões de dólares para desestabilizar e derrubar o governo constitucional de Salvador Allende.
“A intromissão da CIA neste periódico chegou ao extremo de infiltrar seus agentes até na diagrama-ção. O informe Church denunciou que este organismo de espionagem contratou jornalistas, editou publicações de circulação nacional e elaborou matérias para diários, semanários e radiodifusoras, além de exportar estes ‘conteúdos’ para outros veículos latino-americanos e europeus”, lembra o escritor chileno Hernán Uribe.
Já no Brasil, há suspeitas de que a CIA financiou vários jornais e jornalistas na “cruzada contra o comunismo” durante o governo de João Goulart e que, inclusive, esteve por detrás do nebuloso acordo entre a empresa estadunidense Time-Life e a recém-criada TV Globo, na véspera do golpe militar de 1964.
ESPIÕES E SEÇÕES ESPECIAIS
Se estas barbaridades ocorreram no passado, é evidente que elas não foram descartadas no presente – ainda mais quando o ocupante da Casa Branca é o terrorista e torturador confesso, George W. Bush, e a América Latina vive um processo inédito de ebulição, com a vitória de vários governos progressistas. O jogo sujo da CIA, que só poderá ser conhecido oficialmente com as novas desclassificações daqui a décadas, prossegue. Os EUA temem as mudanças no tabuleiro político na região, não confiam em seus novos governantes – nem mesmo nos mais pragmáticos e conciliadores –, não toleram o avanço dos movimentos sociais e estão bem cientes dos riscos do atual processo de integração latino-americana. A CIA continua na ativa.
Numa recente passeata da direita venezuelana contra o fim da concessão da RCTV, algumas fotos flagraram a presença do agente da CIA Bowen Rosten, de camiseta azul e óculos escuros, na sua linha de frente. Há até um vídeo no Youtube com a cena grotesca. O ex-vice-presidente da Venezuela, José Vicente Rangel, no seu programa televisivo La Hojilla, comentou: “Um dos chefes da CIA na região é mister Bowen Rosten. Estadunidense, ele fala inglês, espanhol, português e francês. Está destacado para atuar na Colômbia, opera na Nicarágua, Argentina, Bolívia, Equador e Brasil e dirige a Operação Orión [de espionagem] em nosso país... O que o governo Bush tem a dizer da ingerência na política interna deste alto funcionário da CIA?”.
No final do ano passado, o presidente-terrorista Bush inclusive nomeou um diretor especial de inteligência para Cuba e Venezuela. Como denunciou o jornal cubano Juventude Rebelde, com a criação deste novo departamento “os EUA tentarão por todos os meios aumentar a presença de seus espiões nos dois países”. O agente Jack Patrick Maher, com 32 anos de experiência nos serviços de espionagem, informou ao congresso dos EUA que a sua missão é “assegurar a implementação de estratégicas”, com vistas à “transição” após a morte de Fidel Castro e às novas eleições na Venezuela. A criação desta seção especial da CIA coloca os dois países no mesmo nível da Coréia do Norte e Irã, nações incluídas no funesto “eixo do mal” de Bush.
JORNALISTAS PAGOS POR WASHINGTON
A mesma ingerência ilegal e criminosa também prossegue na mídia da região. A advogada estadu-nidense Eva Golinger denunciou recentemente que a Casa Branca financia veículos e jornalistas venezuelanos. O plano da Divisão de Assuntos Educativos e Culturais visa influir na linha editorial destes órgãos. A grave denúncia se baseou em documentação oficial do governo ianque. “Lamentavelmente, existem jornalistas na Venezuela manipulados pelo Departamento de Estado dos EUA”, garante a renomada advogada. A VTV, o canal estatal de Caracas, inclusive divulgou os nomes dos “repórteres” que recebem dólares de Washington: Aymara Lorenzo, Pedro Flores, Ana Villalba, Maria Flores, Miguel Angel e Roger Santodomingo.
O último deles, Roger Santodomingo, foi acusado, em maio passado, pela Justiça da Venezuela de “instigar o magnicídio [assassinato de autoridades] e receber financiamento dos EUA para desestabilizar o governo”. O jornalista divulgou na televisão falsa pesquisa em que 30% da população opinava que “matar Chávez é a única solução”. Com a decisão soberana do governo de não renovar a concessão da emissora RCTV, que participou ativamente do golpe frustrado de abril de 2002, a ação destes e outros “jornalistas” teleguiados pela CIA se tornou ainda mais agressiva, convocando protestos e atacando o presidente.
LARRY ROHTER AGENTE DA CIA?
Mesmo no Brasil, aonde inexiste o clima de radicalização política do país vizinho, há sérias desconfianças sobre a atuação da mídia hegemônica e de alguns colunistas e âncoras da televisão. Quando da reportagem do correspondente ianque Larry Rohter, que acusou o presidente Lula de ser alcoólatra e foi ameaçado de expulsão do país, o portal Resistir publicou um artigo de Célia Ladeira com graves denúncias contra o dito cujo. No texto, a professora de jornalismo da Universidade de Brasília (UnB) dá algumas informações reveladoras. “Conheci Larry Rohter há muitos anos e convivo com pessoas que o conhecem muito bem. Portanto, não estou dizendo muita coisa nova, mas dizendo coisas que poucas pessoas estão hoje sabendo”.
Entre outras acusações, ela afirma que “Larry não é só jornalista, mas um tipo de agente civil, bem pa-go, que faz coisas que CIA e FBI não podem fazer. Ele tem trabalhado em toda a América Latina, sempre com um cader-ninho de missões debaixo do braço”. Informa que são comuns as suas visitas ao Departamento de Estado dos EUA. “Média de uma visita a cada ano, sem contar os almoços com gente estranha dos serviços secretos”. Lembra ainda que o “jornalista” presta inúmeros serviços ao governo Bush, sempre desancando políticos e lideranças contrárias ao império, como numa reportagem em que ridicularizou a prêmio Nobel da Paz, Rigoberta Menchu, da Guatemala, e nos inúmeros artigos contrários ao presidente da Venezuela. Outra diversão dele é escrever textos pregando abertamente a internacio-nalização da Amazônia.
*Jornalista, editor da revista Debate Sindical e autor do livro “Venezuela: originalidade e ousadia” (Editora Anita Garibaldi, 3ª edição)

Friday, June 15, 2007

“Bob Kennedy investigava a conspiração da CIA no assassinato de JFK”, revela Talbot



Em seu livro “Brothers”, o escritor norte-americano David Talbot relata investigações de Bob Kennedy sobre a participação da CIA junto com o “submundo de Miami de espiões, gangsteres e militantes cubanos” no assassinato de seu irmão. No artigo de Talbot, publicado no seu site salon.com, o autor destaca: “crescentes evidências comprovam que ele estava na trilha certa antes de também ser assassinado”

DAVID TALBOT

Um dos mais intrigantes mistérios sobre o assassinato de John F. Kennedy, o mais escuro dos labirintos americanos, é porque seu irmão Robert F. Kennedy aparentemente não fez nada para investigar o crime. Bobby Kennedy era, afinal, não apenas o secretário de Justiça dos Estados Unidos no momento do assassinato – ele era o parceiro mais devotado de seu irmão, o homem que recebeu as incumbências mais duras do governo, dos direitos civis ao crime organizado e Cuba, o mais quente ponto nevrálgico da Guerra Fria de então. Mas depois que os tiros no centro de Dallas em 22 de novembro de 1963 encerraram essa parceria única, Bobby Kennedy parecia perdido na perplexidade e luto, recusando-se a discutir o assassinato com a Comissão Warren e dizendo aos amigos que não tinha ânimo para uma investigação agressiva. “Que diferença isso faz?”, ele dizia. “Isso não o trará de volta”.
Mas Bobby Kennedy era um homem complexo, e seus anos em Washington o tinham ensinado a manter seu próprio escrutínio e a proceder de um modo subterrâneo. O que ele disse em público sobre Dallas não era a história completa. Privadamente, RFK – que tinha construído sua reputação nos anos 50 como um incansável investigador dos porões do poder americano – estava consumido pela necessidade de saber a verdadeira história sobre o assassinato de seu irmão. Este fervor o tomou na tarde de 22 de novembro, assim que o chefe do FBI J.Edgar Hoover, um implacável inimigo político, lhe telefonou para dizer – quase com prazer, pensou Bobby – que o presidente havia sido baleado. E a questão de quem matou seu irmão continuou a perseguir Kennedy até o dia que também ele foi abatido a tiros, em 5 de junho de 1968.
Por causa de seu pendor para operar em segredo, RFK não deixou um registro documentado de suas inquirições sobre o assassinato de seu irmão. Mas é possível retraçar sua trilha investigativa, começando na tarde de 22 de novembro, quando ele freneticamente fez telefonemas de Hickory Hill – sua mansão da era da guerra civil em McLean, Virginia – e convocou assessores e autoridades do governo para sua casa. Ligado pela claridade do choque e a eletricidade da adrenalina, Bobby Kennedy reconstruiu as linhas mestras do crime nesse dia – um crime, ele imediatamente concluiu, que ia muito além de Lee Harvey Oswald, o ex-marine de 24 anos preso pouco depois do assassinato. Robert Kennedy foi o primeiro teórico da conspiração de assassinato [de JFK] da América.
As fontes da CIA começaram a disseminar sua própria visão conspiratória do assassinato de Kennedy horas após o crime, enfocando a defecção de Oswald para a União Soviética e seu apoio público a Fidel Castro. Em Nova Orleans, uma organização de notícias anti-Castro divulgou uma gravação de Oswald defendendo o ditador barbudo. Em Miami, o Diretório dos Estudantes Cubanos – um grupo de exilados financiado secretamente por um programa da CIA de codinome Amspell – disse a repórteres sobre as conexões de Oswald com o Comitê por uma Relação Justa com Cuba, pró-Castro. Mas Robert Kennedy nunca acreditou que o assassinato fosse um complô comunista. Ao invés disso, ele olhou na direção oposta, focando suas suspeitas nas operações ocultas da CIA anti-Castro, um submundo obscuro que ele havia navegado como o ponta-de-lança de seu irmão quanto a Cuba. Ironicamente, as suspeitas eram compartilhadas pelo próprio Castro, a quem ele tinha buscado derrubar durante a presidência de Kennedy.
O que estava determinado é que o secretário de Justiça estaria no comando da guerra clandestina contra Castro – outra desgastante tarefa que JFK lhe deu, após a desastrosa performan-ce da agência de espionagem na Baía dos Porcos em abril de 1961. Mas conforme ele tentou estabelecer controle sobre as operações da CIA e juntar os turbulentos grupos de exilados cubanos numa frente progressista unificada, Bobby aprendeu que o mundo anti-Castro era um pântano de intrigas. Trabalhando a partir de uma ampla estação da CIA em Miami de nome em código de JM/WAVE, que era a segunda maior depois do QG em Langley na Virgínia, a agência havia recrutado um exército ilegal de militantes cubanos para lançar ataques contra a ilha e até mesmo contratou pistoleiros da Máfia para assassinar Castro – inclusive chefões como Johny Rosseli, Santo Trafficante e Sam Giancana, a quem, como chefe do Comitê do Senado sobre o sindicalismo amarelo no final dos anos 50, tinha investigado. Era um superaquecido ecossistema que estava unido não apenas por sua febril oposição ao regime de Castro, mas também pelo seu ódio pelos Kennedys, que eram vistos como traidores por falhar em usar o poderio militar total dos Estados Unidos contra o posto avançado comunista no Caribe.

O submundo de Miami

É nesse submundo de Miami de espiões, gângsteres e militantes cubanos que Robert Kennedy imediatamente lança suas suspeitas em 22 de novembro. Nos anos que se seguiram ao assassinato do próprio Robert Kennedy, um impressionante corpo de evidências se acumulou que indica porque Kennedy se sentiu compelido a olhar nessa direção. As evidências – testemunhos ao congresso, documentos governamentais desclassificados, mesmo confissões veladas – continuam a emergir até a data mais recente, embora largamente não noticiadas. A mais recente revelação veio de um espião legendário, E. Howard Hunt, antes de sua morte em janeiro. Hunt ofereceu o que pode ser o último testamento sobre o assassinato de JFK por alguém com conhecimento direto do crime. Em suas memórias póstumas publicadas recentemente, o espião americano Hunt especula que a CIA poderia ter estado envolvida no assassinato de Kennedy. E em anotações manuscritas e uma fita gravada que ele deixou, o espião foi mais longe, revelando ter sido convidado em 1963 para uma reunião em um esconderijo da CIA em Miami, em que um complô de assassinato foi discutido.
Bobby Kennedy sabia que ele e seu irmão tinham feito inimigos políticos além da conta. Mas nenhum era mais virulento do que o homem que trabalhou na operação da Baía dos Porcos e que acreditava que o presidente os havia apunhalado pelas costas, se recusando a salvar - e condenando a operação -, com o envio da Força Aérea dos EUA e dos Marines. Mais tarde, quando o presidente Kennedy encerrou a Crises dos Mísseis de Outubro de 1962 de Cuba sem invadir Cuba, esses homens viram não um estadista, mas outra crise de nervos. Na Miami cubana, eles falavam de la seconda derrota, a segunda derrota. Esses sentimentos anti-Kennedy, às vezes vociferados acaloradamente na cara de Bobby, ressoavam entre os parceiros da CIA na guerra secreta contra Castro – os chefões da Máfia que há muito reclamavam suas lucrativas franquias de jogo e prostituição em Havana, que tinham sido fechadas pela revolução, e profundamente prejudicados com a guerra sem quartel do Departamento de Justiça de Kennedy contra o crime organizado. Mas Bobby, o linha-dura que cobria o flanco direito de seu irmão na questão de Cuba, pensava que ele próprio tinha se tornado o principal pára-raios de toda essa eletrostática anti-Kennedy.
“Eu pensei que eles me pegariam, ao invés do presidente”, disse ele ao seu porta-voz do Departamento de Justiça, Edwin Guthman, conforme andavam de um lado para o outro no quintal de Hickory Hill na tarde de 22 de novembro. Guthman e outros em volta de Bobby nesse dia pensaram que “eles” poderiam vir em seguida atrás do Kennedy mais jovem. Ao que parece, também Bobby. Normalmente oposto a medidas rígidas de segurança – “os Kennedys não precisam de guarda-costas”, costumava dizer com a impetuosidade típica – ele permitiu que seus auxiliares chamassem os agentes federais, que rapidamente cercaram a casa.
Uma chocante irrupção
Entrementes, enquanto Lyndon Johnson – um homem com quem ele tinha notoriamente um relacionamento antagônico – voava para o leste de Dallas para assumir os poderes da presidência, Bobby Kennedy usava sua fugidia autoridade para desentocar a verdade. Após tomar conhecimento de que seu irmão tinha morrido no Hospital Parkland Memorial em Dallas, Kennedy telefonou para o QG da CIA, estrada abaixo em Langley, onde ele frequentemente começava seu dia, parando lá para trabalhar em questões ligadas a Cuba.
Pondo uma alta autoridade no telefone – cuja identidade ainda é desconhecida – Kennedy o confrontou numa voz vibrante de fúria e dor. “Seus esquadrões têm alguma coisa a ver com esse horror?”, explodiu Kennedy.
Naquele dia mais tarde, RFK convocou o próprio diretor da CIA, John McCone, para lhe perguntar a mesma questão. McCone, que tinha substituido o lendário Allen Dulles depois que o velho mestre da espionagem tinha sido forçado aandar na prancha por conta da Baía dos Porcos, jurou que sua agência não estava envolvida. Mas Kennedy sabia que McCone, um rico empresário republicano da Califórnia sem nenhuma experiência em espionagem, não tinha um firme domínio de todos os aspectos da atuação da agência. O verdadeiro controle sobre o serviço clandestino girava em torno do homem número 2, Richard Helms, o astuto burocrata cuja carreira de espionagem remontava às origens da agência no OSS na II Guerra Mundial. “Era claro que McCone estava fora do circuito – Dick Helms estava comandando a agência”, havia comentado recentemente o assessor de RFK, John Seigenthaler – outro repórter investigativo, como Guthman, a quem Bobby havia recrutado para sua equipe no Departamento de Justiça. “Qualquer coisa que McCone descobrisse era por acidente”.
Kennedy teve outra reveladora conversa por telefone na tarde de 22 de novembro. Falando com Enrique “Ruiz” Williams, um veterano da Baía dos Porcos que era o seu aliado mais confiável entre os líderes politicos exilados, Bobby chocou seu amigo ao lhe dizer diretamente, “foi um dos seus caras que fez isso”. O que Kennedy queria dizer? Por então Oswald tinha sido preso em Dallas. A CIA e seus grupos clientes anti-Castro estavam sempre tentando ligar o alegado assassino ao regime de Havana. Mas como os ásperos comentários de Kennedy para Williams deixam claro, o secretário de Justiça não ia cair nessa. Evidência recente sugere que Bobby Kennedy tinha ouvido o nome de Lee Harvey Oswald muito antes que explodiu no mundo inteiro pelos boletins de notícias, e ele ligou isso à guerra subterrânea contra Castro. Com Oswald preso em Dallas, Kennedy ao que parece compreendeu que a campanha clandestina contra Castro tinha se voltado, como um bumerangue, contra seu irmão.
A conexão de Chicago

Naquela tarde, Kennedy mirou a Máfia. Ele telefonou para Julius Draznin em Chicago, um especialista do Escritório Nacional de Relações Trabalhistas em corrupção em sindicatos, pedindo-lhe para procurar por uma possivel relação da máfia em Dallas. Mais importante, o secretário da Justiça acionou Walter Sheridan, seu principal investigador do Departamento de Justiça, localizando-o em Nashville, onde Sheridan estava esperando pelo julgamento do seu nêmesis de muito tempo, o líder dos caminhoneiros Jimmy Hoffa. Se Kennedy tinha qualquer dúvida sobre o envolvimento da Máfia na matança de seu irmão, ela rapidamente desapareceu quando, dois dias após JFK ter sido abatido a tiros, o proprietário de um grotesco clube noturno, Jack Ruby, abriu seu caminho entre os reporteres no porão da estação de polícia de Dallas e disparou sua bala fatal contra Lee Harvey Oswald. Sheridan rapidamente obteve evidências de que Ruby havia sido pago em Chicago por um colaborador próximo de Hoffa. Sheridan reportou que Ruby “tinha pego um monte de dinheiro com Allen M. Dorfman,” o conselheiro chefe de Hoffa no Fundo de Pensões e Empréstimos dos Caminhoneiros e enteado de Paul Dorfman, o chefão sindical que era o principal vínculo com a máfia de Chicago. Poucos dias mais tarde, Draznim, o principal homem de Kennedy em Chicago, conseguiu evidências adicionais sobre o histórico de Ruby como cobrador da máfia, providenciando um detalhado relatório das atividades de Ruby de extorsão dos sindicatos e sua propensão pela violência armada. Os registros telefônicos posteriores de Jack Ruby ligavam-no mais ainda ao caso Kennedy. A lista dos homens a quem Ruby telefonara por volta da hora do assassinato - disse RFK mais tarde ao assessor Frank Mankiewicz - era “quase uma cópia do pessoal que eu chamei para testemunhar perante do Comitê sobre o crime organizado”.

Mensagem a Moscou

Conforme os membros da família e amigos íntimos se reuniram na Casa Branca no fim de semana após o assassinato para o funeral do presidente, um sentimento envolvido num rouco lamento irlandês tomou conta da mansão executiva. Mas Bobby não participou na dolorosa tradição da família. Recurvado e sem dormir ao longo do fim de semana, ele meditou sozinho sobre o assassinato de seu irmão. De acordo com uma narração de Peter Lawford, o ator e cunhado de Kennedy que estava lá naquele fim de semana, Bobby disse aos membros da família que JFK tinha sido morto por um complô poderoso que cresceu em meio às operações secretas anti-Castro do governo. Não havia nada que eles pudessem fazer naquele ponto, Bobby acrescentou, já que eles estavam enfrentando um inimigo formidável e eles não mais controlavam o governo. A Justiça teria de esperar até que os Kennedys pudessem retomar a Casa Branca – isso se tornou o mantra de RFK nos anos depois de Dallas, sempre que seus companheiros urgiam que ele falasse sobre o misterioso crime.
Uma semana após o assassinato, Bobby e a viúva de seu irmão, Jacqueline Kennedy – que compartilhava as suspeitas dele sobre Dallas – enviaram uma surpreendente mensagem secreta a Moscou através de um emissário de confiança da família, de nome William Walton. O discreto e leal Walton “era exatamente a pessoa que você poderia escolher para uma missão como essa,” observou mais tarde seu amigo Gore Vidal. Walton,um correspondente de Guerra da revista Time que se reinventou como um gay boêmio de Georgetown, tinha crescido junto tanto de JFK quanto de Jackie nos dias tranquilos antes que se mudassem para a Casa Branca. Mais tarde, o primeiro casal deu-lhe um papel não-pago no governo, indicando-o presidente da Fine Arts Comission, mas isso era principalmente uma desculpa para fazer dele um convidado freqüente da Casa Branca e um confidente.
Após o assassinato de JFK, o irmão do presidente e sua viúva pediram a Walton para seguir em frente, como planejado, com uma viagem de intercâmbio cultural à Rússia, onde ele deveria encontrar artistas e ministros, e transmitir uma mensagem urgente ao Kremlin. Logo depois de chegar à fria Moscou, lutando contra uma gripe e assoando o nariz com um lenço vermelho, Walton se encontrou no ornado restaurante Sovietskaya com Georgi Bolshakov – um agitado e rechonchudo agente soviético com quem Bobby tinha estabelecido em Washington um canal confidencial de relacionamento. Walton deixou o russo atônito ao lhe dizer que os Kennedys acreditavam que Oswald era parte de uma conspiração. Eles não achavam que nem Moscou nem Havana estavam por trás do complô, Walton assegurou a Bolshakov – era uma grande conspiração doméstica. O irmão do presidente estava determinado a entrar na arena política e eventualmente concorrer à Casa Branca. Se RFK tivesse sucesso, Walton confidenciou, ele retomaria a missão de seu irmão por uma détente com os soviéticos.
A extraordinária comunicação secreta de Robert Kennedy com Moscou mostra quão emocionalmente alquebrado ele deve ter estado nos dias que se seguiram ao assassinato de seu irmão. A calamidade o transformou instantaneamente de um insider abrasivo e confiante – o segundo homem mais poderoso em Washington – para um outsider profundamente cauteloso e afligido pelo pesar, que tinha mais confiança no governo soviético do que no seu próprio. A missão de Walton ficou perdida para a história. Mas é mais uma reveladora narrativa que lança luz sobre a vida subterrânea de Bobby Kennedy entre o assassinato de seu irmão e seu próprio fim violento menos de cinco anos mais tarde.
Ao longo dos anos, Kennedy ofereceria um insípido e rotineiro endosso do Relatório Warren e sua teoria do atirador solitário. Mas privadamente ele repeliu o relatório como nada mais que um exercício de relações públicas voltado para tranquilizar o público. E por trás da cena, ele continuou a trabalhar assiduamente para desvendar o assassinato de seu irmão, em preparação para a reabertura do caso se ele chegasse a ganhar o poder para fazê-lo.
Bobby guardou evidências médicas da autópsia de seu irmão, incluindo o cérebro de JFK e amostras dos tecidos, que poderiam se provar importantes em uma investigação futura. Ele também considerou se apossar da limousine presidencial manchada de sangue e recheada de balas que tinha conduzido seu irmão em Dallas, antes que o Lincoln negro pudesse ser limpo de evidências e reparado. Ele recrutou seu investigador-chefe, Walt Sheridan, para sua busca secreta – o ex-agente do FBI e camarada católico irlandês que Bobby chamava de seu “anjo vingador”. Mesmo depois de deixar o Departamento de Justiça em 1964, quando foi eleito senador por Nova Iorque, Kennedy e Sheridan davam uma escapada ali volta e meia, para esmiuçar arquivos sobre o caso. E logo depois de sua eleição, Kennedy viajou para a Cidade do México, onde juntou informações sobre a misteriosa viagem de Oswald para lá em setembro de 1963.
Em 1967, Sheridan foi a Nova Orleans checar a investigação de Jim Garrison, para ver se o estravagante promotor realmente tinha desvendado o caso JFK. (Sheridan estava trabalhando com produtor de noticiário da NBC naquele tempo, mas ele retornou a RFK, dizendo-lhe que Garrison era uma fraude). E Kennedy pediu a seu secretário de imprensa, Frank Mankiewickz, para começar a colher informação sobre o assassinato para o dia em que eles pudessem reabrir a investigação. (Mankiewickz mais tarde disse a Bobby que sua pesquisa o levara a concluir que fora provavelmente um complô envolvendo a máfia, exilados cubanos e agentes renegados da CIA.) O próprio Kennedy achou doloroso discutir teorias conspiratórias com os ardentes pesquisadores que o buscavam. Mas ele se encontrou no seu gabinete de senador com pelo menos um – um editor de jornal de uma pequena cidade do Texas, de nome Penn Jones Jr., que acreditava que JFK tinha sido vítima de um complô da CIA-Pentágono. Bobby o escutou e depois mandou seu motorista levar Jones até o Cemitério de Arlington, onde este queria visitar o túmulo de seu irmão.
Bob na corda-bamba

Às vezes, esse esforço para saber a verdade viria à tona em sua fala por vezes acelerada, conforme Robert Kennedy lutava com a debilitante dor e o sentimento de culpa de que ele – o vigia constante de seu irmão – deveria tê-lo protegido. E, sempre cauteloso, Bobby continuou a desviar do tema sempre que era confrontado com ele pela imprensa. Mas conforme o tempo passou, tornou-se crescentemente dificil para Kennedy evitar a luta com o espectro da morte de seu irmão em público. No final de março de 1968, durante sua heróica e condenada disputa pela presidência, ao comparecer a uma tumultuada manifestação no lado de fora do campus de Northridge, Califórnia, quando alguns impetuosos estudantes começaram a gritar a questão que ele sempre temera “Queremos saber quem matou o presidente Kennedy!”, proclamou uma jovem, enquanto outros começaram a gritar: “abram os arquivos!”.
A resposta de Kennedy nesse dia foi uma caminhada na corda-bamba. Ele sabia que se ele revelasse plenamente o que pensava sobre o assassinato, a gritaria da mídia que se seguiria teria dominado sua campanha, ao invés de questões candentes como dar fim à Guerra do Vietnã e abolir as divisões raciais do país. Para um homem como Robert Kennedy, você não trata de algo tão terrível e obscuro como o assassinato do presidente em público – você investiga o crime do seu próprio modo.
Mas Kennedy respeitava os estudantes universitários e suas paixões – e ele tinha o hábito de se dirigir às audiências nos campus com surpreendente honestidade. Ele não quis simplesmente se desviar da pergunta nesse dia com seu comportamento padrão. Então, embora cumprindo a obrigação de endossar o Relatório Warren como sempre fazia, ele foi além. “Vocês querem me perguntar sobre os arquivos”, ele respondeu. “Eu estou certo, como lhes disse antes, que os arquivos serão abertos.” A multidão saudou e aplaudiu. “O que eu posso dizer”, continuou Kennedy, “e eu já respondi essa pergunta antes, é que não há ninguém mais interessado em todas essas questões de quem foi responsável pela, uhm, uhm, a morte do presidente Kennedy, que eu.” O secretário de imprensa de Kennedy, Frank Mankiewickz, há muito acostumado a ver Kennedy driblar a pergunta, ficou “atônito” com a resposta. “Foi como se ele de repente tivesse deixado escapar a verdade, ou um modo de encerrar qualquer questiona-mento posterior. Você sabe, ´Sim, eu reabrirei o caso. Agora vamos seguir em frente”.
Robert Kennedy não viveu o bastante para elucidar o assassinato de seu irmão. Mas quase 40 anos após seu próprio assassinato, um crescente corpo de evidências sugere que Kennedy estava na trilha certa antes que também ele fosse abatido. Apesar de suas contorções verbais em público, Bobby Kennedy sempre soube que a verdade sobre Dallas importava. Ainda importa.